
“Querido Trópico” da diretora panamenha Ana Endara será lançado nos cinemas no Brasil dia 13 de novembro. O filme foi o vencedor do Grande Prêmio Coup de Coeur, além de outros prêmios, como o concedido pelo sindicato da crítica francesa. A coprodução panamenho-colombiana tem como produtoras as empresas Mente Pública, Big Sur Productions e Mansa Productions com a distribuição da Filmes do Estação.
O filme participou da Première Latina do Festival do Rio em 2024 e também ganhou os prêmios Premio del Público no Festival Biarritz Amérique Latine; Melhor interpretação para Paulina García e Jenny Navarrete no Festival Biarritz Amérique Latine e Melhor direção no Kolkata International Film Festival.
“Querido Trópico” traz a história de Ana Maria, uma imigrante colombiana empregada como cuidadora, que cruza o caminho de Mercedes na Cidade do Panamá. De classe alta, Mercedes luta contra a evolução da demência que lentamente apaga a sua identidade. Conforme suas vidas se entrelaçam, as duas embarcam em uma jornada de descobertas e apoio mútuo.
Elenco: Paulina Garcia, Jenny Navarrete, Juliette Roy
Equipe Técnica
Direção: Ana Endara
Roteiro: Ana Endara, Pilar Moreno
Produção: Isabella Gálvez e Joan Gómez Endara
Produtoras: Mente Pública, Big Sur Productions e Mansa Productora
Em associação com: Fondo Cine de Panamá Ministerio de Cultura FDC, Su Mirada IFF Panamá/ Cine en Construcción
Direção de Fotografia: Nicolás Wong Díaz (CCR)
Edição: Bertrand Conard
Desenho de Produção: Oso Daniel Rincón
Desenho de Som: Carlos García
Direção de Arte: Oso Daniel Rincón
Protagonizado pela grande atriz Paulina García (vencedora do Urso de prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim por “Gloria”, que também venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro)
Premiere Mundial no Festival de Toronto (TIFF)
Vencedor do Prêmio de “Melhor Filme” no Festival de Biarritz
Exibido no Festivall de San Sebastian
Premiere Nacional no Festival do Rio 2024
“Paulina García Brilha em Drama Sensível”
Variety (link para a matéria)
“Potencial transformador do cuidado duela com a deterioração do corpo”
“Jenny Navarrete e a sempre maravilhosa Paulina García dão vida às duas personagens com elegância: nunca exagerando em suas interpretações”
Alliance of women Film Journalists (Link para a matéria)
SINOPSE
Na vibrante cidade do Panamá, Ana Maria é uma imigrante colombiana que se torna cuidadora de Mercedes, uma rica mulher de meia idade que está lutando contra a demência. As duas desenvolvem uma inesperada amizade transformadora.
DECLARAÇÃO DA DIRETORA
Querido Trópico nasce de minhas reflexões pessoais sobre situações inevitáveis da vida. O filme explora a necessidade de cuidar daqueles que cuidaram de nós e a possibilidade de vê-los se tornarem como crianças, enquanto refletimos sobre nossa dificuldade em cuidar de nós mesmos à medida que envelhecemos. Além disso, aborda várias experiências da maternidade, incluindo o desejo por uma maternidade não realizada — em um contexto onde, em nossas sociedades latino-americanas, uma mulher sem filhos é muitas vezes vista como incompleta. Ambas as protagonistas vivem em um Panamá marcado pela desigualdade. Embora venham de mundos distintos — uma é imigrante sem família ou apoio, e a outra é uma senhora da alta sociedade — ambas compartilham uma solidão que cresce com o tempo. Suas solidões se conectam e constroem esta história, aproximando-as e revelando dois lados da mesma realidade cruel: vivemos em uma sociedade fria, onde a alienação prevalece e não há espaço para o afeto mútuo. Nesse mundo, Ana María e Mercedes se encontram e criam um laço, formando uma espécie de irmandade amorosa que seria impossível em outras circunstâncias.
O vínculo delas permite encontrar humor e riso em meio às dificuldades. “Querido Trópico” é um drama luminoso, com textura tropical e cheio de momentos inesperados — como o clima panamenho mutável. Através deste filme, quis retratar o encontro entre duas mulheres separadas por tudo, ou quase tudo.
No Panamá, os trabalhos mais humanos e importantes nem sempre são os mais valorizados ou bem pagos — refiro-me aos trabalhos que envolvem cuidar, ensinar ou educar. São realizados por pessoas em situações vulneráveis, muitas vezes mal pagas ou em condições precárias — em muitos casos, migrantes. Apesar de o Panamá ser historicamente um ponto de passagem para imigrantes, estrangeiros muitas vezes não têm seus direitos reconhecidos, e podemos ser uma sociedade xenofóbica.
Tendo trabalhado por vários anos com documentários, comecei a pensar em como fazer um filme de ficção inspirado pelo encontro entre duas personagens muito diferentes que, ao mesmo tempo, têm algo em comum — o que lhes dá a oportunidade de enxergar o mundo uma da outra. O que trouxe do documentário para a ficção foi a capacidade de deixar espaço para o inesperado.
Nos documentários, prepara-se muito, mas deixa-se espaço para a realidade surpreender. Essa “surpresa” veio das atrizes. Refiro-me, por exemplo, às reescritas que surgem do trabalho conjunto, dos ensaios e até mesmo durante as filmagens. Estávamos sempre abertas a explorar novos caminhos se algo do roteiro não funcionasse.
Não pensei em Paulina García ou Jenny Navarrete desde o início do projeto. Porém, quando Paulina entrou, passamos por um processo de reescrita para adaptar a personagem de Mercedes a ela. Com sua ajuda, fizemos o processo final de seleção para encontrar a atriz ideal para viver Ana María. Quis que ela participasse desse processo, pois sabia que a química entre as duas seria essencial para a história que queríamos contar. Este foi meu primeiro trabalho com atrizes, e sou muito grata por tê-las tido — são artistas incríveis, com um admirável nível de comprometimento.
Encontro inspiração nos filmes de Céline Sciamma, especialmente em como ela aborda as personagens femininas e enfatiza “o olhar feminino”. Também me inspirei em The Mole Agent de Maite Alberdi, The Cavernous Breath de Samantha Schweblin, e The Creative Act: A Way of Being de Rick Rubin — todos eles me ajudaram a abraçar a incerteza como parte essencial do processo criativo.
Elenco - Bios
Paulina García / Mercedes
Paulina é uma atriz chilena aclamada, conhecida por sua versatilidade e talento no teatro e no cinema. Recebeu reconhecimento internacional por seu papel em Gloria (2013), de Sebastián Lelio, pelo qual ganhou o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim. Atuou também em Illiterate e The Desert Bride, além de séries de TV, consolidando-se como uma das atrizes mais importantes do Chile.
Jenny Navarrete / Ana María
Jenny é uma renomada atriz colombiana, conhecida por seus papéis em Others (dirigido por Óscar Campo, Colômbia) e Behind You (dirigido por Tito Jara, Equador). Também protagonizou Los Funerales e The Other Son (Hijo), de Juan Sebastián Quebrada, exibido no Festival de San Sebastián 2023. The Other Son representou a Colômbia no Goya 2023 na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano.
Juliette Roy / Jimena
Juliette é atriz, produtora e diretora teatral panamenha, com ampla experiência em artes cênicas e mídia audiovisual. Atuou no curta God is in the Breath, de Marcela Heilbron, e em musicais como Next to Normal e Querido Evan Hansen. Também integra o elenco de Querido Trópico, longa de Ana Endara que estreará no TIFF 2024.
Ana Endara / Corroteirista e Diretora
Ana dirigiu quatro longas documentais, sendo Querido Trópico seu primeiro longa de ficção. Trabalha também como videomaker no Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais no Panamá. É bacharel em Ciências Sociais pela Florida State University (Panama Canal Branch) e estudou Direção de Cinema na EICTV (Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba).
Filmografia:
2024 – Querido Trópico (ficção)
2021 – For Your Peace of Mind, Make Your Own Museum (documentário, co-dirigido com Pilar Moreno)
2016 – The Joy of Sound (documentário)
2013 – Majesty (documentário)
2007 – Curundú (documentário)
Filmes do Estação / Distribuidora
Filmes do Estação, a distribuidora do Grupo Estação, fundada em 1990, é responsável por inúmeros lançamentos de filmes independentes, brasileiros e internacionais, de sucesso de público e crítica. Neste período lançou mais de 300 títulos e relançou diversas coleções de clássicos. Em 2024, três dos seus lançamentos fizeram parte das listas de melhores do ano: o documentário francês “Orlando, Minha Biografia Política”, de Paul B. Preciado, “O Diabo na Rua no Meio do Redemunho”, de Bia Lessa e “Malu”, de Pedro Freire - praticamente unanimidade entre o público e a crítica, Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante (Carol Duarte e Juliana Carneiro da Cunha) no Festival do Rio e conquistou três prêmios no Grande Otelo 2025, oferecido pela Academia Brasileira de Cinema: Melhor Primeira Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz Coadjuvante para Juliana Carneiro da Cunha.
No primeiro semestre de 2025, lançou quinze filmes internacionais, com destaque para o indiano “Sempre Garotas”, da diretora Suchi Talati, vencedor do Prêmio do Público de Melhor Filme e do Prêmio Especial do Júri de Melhor Atriz no Festival Sundance de 2024, e para o mais recente filme do renomado diretor Costa-Gavras, “Uma Bela Vida”, - uma delicada e iluminadora reflexão sobre o fim da vida, que já ultrapassou 35.000 espectadores. Entre os clássicos, começou com "Em Busca do Ouro", de Charlie Chaplin, e agora retoma seu projeto de coleções com a recém-lançada mostra Truffaut Por Completo, e o lançamento da coleção Agnès Varda ainda em 2025. Para 2026, a Filmes do Estação prepara o lançamento de grandes títulos, como o “As Vitrines”, novo longa da diretora e roteirista Flavia Castro, “A Cronologia da Água”, primeira direção de Kristen Stewart, que estreou na Mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes e o longa documental Palestino "Put Your Soul in Your Hand and Walk”, que estreou na Mostra ACID Cannes. A distribuidora possui diversas parcerias com projetos ainda em fase de desenvolvimento, de forma a pensar estratégias de lançamento dos filmes desde o seu início.
@filmesdoestacao