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“Meu Nome: Mamãe” chega a Guarulhos e convida o público a pensar sobre Alzheimer

Espetáculo da mundana companhia com o ator Aury Porto e direção de Janaína Leite passará ainda neste mês de abril por Jundiaí, em nova etapa de circulação pelo interior paulista

Publicada em 08/04/26 às 10:39h - 15 visualizações

Simone Frota


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“Meu Nome: Mamãe” chega a Guarulhos e convida o público a pensar sobre Alzheimer
Espetáculo \"Meu Nome: Mamãe\"  (Foto: Divulgação )

O que permanece quando a memória começa a falhar? É a partir dessa pergunta — nunca dita de forma direta, mas constantemente sugerida em cena — que o espetáculo “Meu Nome: Mamãe” constrói sua força e sua delicadeza. Em nova etapa de circulação pelo interior paulista, a montagem idealizada e interpretada por Aury Porto chega a Guarulhos como um dos pontos centrais da temporada, reafirmando sua capacidade de transformar experiência íntima em linguagem artística de alcance coletivo.


Depois de passagens por diferentes cidades, o espetáculo encontra em Guarulhos um momento de aprofundamento da proposta contemplada no edital Proac. As duas apresentações no Teatro Padre Bento não apenas ampliam o acesso à obra, como também propõem diferentes formas de encontro: uma sessão com tradução em Libras e outra seguida de conversa entre público e equipe, criando um espaço onde o teatro ultrapassa o palco e se desdobra em escuta e troca.


Em cena, Aury Porto não narra uma história linear. O que se vê é uma espécie de mosaico de lembranças, gestos e situações que se reorganiza continuamente, refletindo o próprio funcionamento da memória. A convivência com a mãe, que vive com Alzheimer há quase duas décadas, é o ponto de partida — mas nunca o ponto de chegada.


“A memória, quando começa a falhar, desmonta não só as lembranças, mas também as certezas que a gente tem sobre quem é. O espetáculo nasce desse lugar de instabilidade, onde tudo pode se transformar”, afirma o ator. “Ao mesmo tempo, é nesse espaço que surgem outras formas de relação, muitas vezes mais verdadeiras do que aquelas que a gente considera normais.”


A proposta da montagem não é explicar a doença, mas deslocar o olhar sobre ela. Em vez de enfatizar a perda, o espetáculo investiga aquilo que ainda se constrói no presente: pequenos gestos, afetos reinventados, formas inesperadas de comunicação. O humor, que aparece em momentos pontuais, não suaviza a experiência — pelo contrário, revela sua complexidade.


“Durante muito tempo, eu contava essas histórias de forma quase anedótica para amigos, e percebia que as pessoas riram, se emocionaram, se reconheceram. Foi aí que entendi que aquilo tinha uma dimensão que ultrapassava o pessoal”, comenta Aury Porto. “O teatro veio como um espaço onde essas histórias poderiam existir de outra maneira, sem a necessidade de organizar tudo de forma lógica.”


A encenação, dirigida por Janaina Leite, aposta em uma linguagem que tenciona realidade e ficção, sem hierarquizar uma sobre a outra. O material autobiográfico é tratado como campo de investigação, e não como relato fechado. “Não se trata de reconstruir uma história, mas de criar uma experiência em que o público também se desloque, se questione, se envolva”, aponta a diretora.


A dramaturgia de Claudia Barral organiza a cena a partir de fragmentos que se sobrepõem e se contradizem, criando uma estrutura que espelha o fluxo descontínuo da memória. A direção de arte de Flora Belotti, a trilha sonora original de Rodolfo Dias Paes (DiPa) e a iluminação de Ricardo Morañez contribuem para construir uma atmosfera que oscila entre o cotidiano e o imaginário, sem fixar o espectador em um único registro.


Nesse contexto, o espetáculo também se insere em uma discussão mais ampla sobre envelhecimento e cuidado — temas que ainda encontram resistência no debate público entre os brasileiros. Ao trazer essa experiência para o centro da cena, “Meu Nome: Mamãe” convida o público a encarar essas questões de maneira mais próxima e menos mediada por estigmas.


“A gente vive em uma sociedade que evita falar sobre a velhice e sobre o cuidado, como se fossem assuntos distantes. Mas eles estão muito mais presentes do que a gente imagina”, reflete Aury Porto. “O espetáculo é um convite para olhar para isso sem tanto medo, entendendo que existe vida, relação e até beleza nesses processos.”


A circulação segue ao longo dos próximos meses, com apresentações agendadas em Jundiaí, ainda em abril, e em Campinas, em maio. Os locais dessas cidades serão anunciados em breve, consolidando uma trajetória que amplia o acesso ao teatro contemporâneo e fortalece o diálogo com diferentes públicos.


Mais do que contar uma história, “Meu Nome: Mamãe” propõe uma experiência de presença — um encontro em que o que está em jogo não é apenas o que se lembra, mas aquilo que ainda é possível sentir, compartilhar e reinventar.


Foto: Layout / Créditos: Divulgação 


SERVIÇO – GUARULHOS

Espetáculo: “Meu Nome: Mamãe”

Local: Teatro Padre Bento

Endereço: Rua Francisco Foot, 3 – Jardim Tranquilidade – Guarulhos (SP)


11 de abril (Sábado)

Horário: 19h

• Sessão com tradução em Libras


12 de abril (Domingo)

Horário: 17h

• Conversa entre equipe e público após a apresentação


Classificação indicativa: 12 anos



PRÓXIMAS CIDADES que receberão o espetáculo "Meu Nome: Mamãe" 


29 de Abril

• Jundiaí


09 de Maio

• Campinas





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